quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ONIOMANIA - A COMPULSÃO POR COMPRAR

Quando a compulsão por comprar se apresenta de forma severa, ela se torna uma doença psicológica chamada Oniomania.

O transtorno, caracterizado pelo descontrole dos impulsos, atinge cerca de 3% da população. Os portadores da Oniomania, também conhecidos como shopaholics ou consumidores compulsivos, frequentemente não conseguem resistir à tentação de comprar. Chegam a não pagar contas essenciais para gastar com supérfluos. A gratificação e a satisfação obtidas através da compra não os permitem avaliar a possibilidade de futuros prejuízos.

Entre os comportamentos mais comuns dos shopaholics estão: Esconder as compras da família ou do parceiro; mentir sobre a quantidade verdadeira de dinheiro gasto em compras; gastar em resposta a sentimentos negativos como depressão ou tédio; sentir euforia ou ansiedade durante a realização das compras; culpa, vergonha ou auto-depreciação como resultado das compras; se dedicar muito tempo fazendo “malabarismos” com as contas ou com as dívidas para acomodar os gastos; além de uma atração incontrolável por cartões de créditos e cheques especiais. Uma pessoa só é considerada um consumidor compulsivo se é incapaz de controlar o desejo de comprar e quando os gastos frequentes e excessivos interferem de modo importante em vários aspectos de sua vida. Antes de cometer o ato do qual não tem controle, é comum que o consumidor compulsivo apresente ansiedade e/ou excitação. Já durante a execução do ato, experimenta sensações de prazer e gratificação. E quando, por algum motivo, são impedidos de comprar, os pacientes costumam relatar sensações como angústia, frustração e irritabilidade. A maioria apresenta culpa, vergonha ou algum tipo de remorso ao término do ato. As compras compulsivas podem levar a sérios problemas psicológicos, ocupacionais, financeiros e familiares que incluem a depressão, enormes dívidas e graves problemas nas relações amorosas. Vários estudos revelaram que a idade e a situação econômica são os principais fatores de risco para o desenvolvimento desse transtorno. Os investigadores descobriram um percentual mais elevado em jovens que ganham menos em relação aos indivíduos mais velhos e em melhor situação econômica.

O comprador compulsivo consome pelo prazer de consumir e não pela real necessidade do objeto, e compra mais produtos relacionados à aparência como roupas da moda, sapatos, jóias e relógios. O descontrole é sem limites. Podemos traçar um paralelo entre as compulsões por compras e as dependências químicas. Em ambas, há perda de controle e o paciente se expõe a situações danosas para si e também para os outros. Assim como em alguns casos os dependentes químicos roubam para custear seus vícios, o compulsivo também pode se utilizar de meios ilegais para continuar comprando.

Compras compulsivas podem ser encontradas com muita frequência na fase maníaca do transtorno bipolar de humor, de exaltação do humor, quando existem sentimentos intensos de alegria e otimismo, associados à falta de capacidade para julgar com clareza as consequências dos atos cometidos; e também podem ser encontradas em portadores do transtorno obsessivo compulsivo (TOC), principalmente em pacientes com compulsões de colecionismo.

Embora a compulsão por compras possa estar relacionada a outros transtornos, alguns fatores presentes no dia a dia são facilitadores da compra descontrolada. Produtos à venda pela internet, canais de venda na televisão ou grandes promoções de queima de estoque são um grande perigo.

Infelizmente, a maioria dos shopaholics só costuma procurar ajuda quando as dívidas estão grandes e os gastos exagerados já acarretam problemas familiares, nos relacionamentos, em situações legais, ou até quando dão origem a episódios depressivos de intensidade importante. Em alguns casos, os portadores do transtorno só chegam ao consultório trazidos por familiares, amigos ou pelo cônjuge. Quanto à origem do transtorno, acredita-se que haja algum déficit do neurotransmissor serotonina, que reconhecidamente proporciona menor ocorrência de impulsividade. Desta forma, o tratamento pode envolver medicamentos como antidepressivos ou agentes estabilizadores do humor, e psicoterapia cognitivo-comportamental.

Dependendo do caso, duas outras medidas também devem ser levadas em consideração: frequentar grupos de autoajuda, como os devedores anônimos (DA) e nomear algum conselheiro financeiro, que possa orientar o paciente sobre suas movimentações financeiras. Quando esse último procedimento ocorre, o paciente continua com a responsabilidade de pagar suas contas, porém, não tem acesso a cartões de crédito e a cheques. É dado a ele, semanalmente, uma quantia previamente combinada à qual deve se adequar. Além disso, as contas são acompanhadas por meio do fornecimento de recibos ao conselheiro financeiro. Esta é uma das formas de tentar combater a possibilidade de episódios de compulsão por compras. Conforme o indivíduo obtém progressos, ele retoma paulatinamente o pleno controle sobre suas finanças.

Leonardo Gama Filho, Psiquiatra especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Chefe do Serviço de Saúde Mental do Hospital Municipal Lourenço Jorge (RJ)

Quando gastar torna-se uma obsessão ?

Comprar, comprar e comprar... Muita gente compra para obter status, por necessidade, ou até mesmo por modismo, mas há quem compre pelo simples prazer que esse ato proporciona. A oniomania, doença que ataca esse tipo de compulsivo, é caracterizada como um transtorno de personalidade e mental, classificado dentro dos transtornos do impulso. Para o consumidor compulsivo, o que lhe excita é o ato de comprar, e não o objeto comprado. Essa pessoa "tem vontade de adquirir, mas não de ter", afirma o psicólogo Daniel Fuentes, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico (Amjo) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Segundo ele, a maioria dessas pessoas é composta por mulheres, mas todas possuem temperamento forte, são ágeis, dinâmicas, inquietas, perfeccionistas, possuem uma desenvoltura social e cultural maior, são imediatistas e inteligentes. "O mais interessante dos dados que observamos que essa vantagem intelectual não é aplicada na vida, porque racionalmente são pessoas que, depois da compra, são capazes de saber que fizeram besteira, mas não conseguem evitar, e usam da inteligência para ludibriar os familiares". Na hora da compra, o craving (ou seja, a “avidez” por comprar) fala mais alto. Os compulsivos por jogos, por exemplo, possuem uma fixação maior que a fixação do viciado em cocaína. Muitos problemas podem ser gerados por essa doença. Os compulsivos contraem dívidas altíssimas, o que gera problemas pessoais e familiares.

Quando são privados dos meios de compra, chegam até a roubar. "Uma das pacientes, quando estava impossibilidade de comprar, a impulsividade era tamanha que ela chegou a roubar o produto, o que nunca tinha feito antes", relata. Essas pessoas, até então, eram honestas e se deixaram levar pelo impulso de comprar. Algumas vezes aplicam golpes, passam cheque sem fundo e pedem dinheiro emprestado para quitar dívidas advindas de sua compulsão. "Não é um defeito de caráter, é uma doença mesmo, a pessoa não é desonesta, ela tem uma incapacidade de controlar esse impulso. Elas chegam ao tratamento porque acabam atrapalhando a vida das outras pessoas."
Além de sua compulsão em comprar, as pessoas que sofrem da oniomania apresentam outros tipos de impulsividades, como fazer muito exercício, comer exageradamente, ter comportamentos controladores sobre pessoas e situações ao seu redor, e trabalhar muito. Mas não compulsivamente, como o obeso ou o workaholic, mas fazer tudo com exagero. Ao comprar, elas não pensam em colecionar coisas, mas acabam sempre comprando um determinado tipo de objeto. "Uma paciente tem 120 pares de sapato, a outra tem mais de 600 CDs, teve outro caso em que a pessoa gastou um talão de cheques em um só dia. Outra paciente possui 30, 40 vestidos semelhantes e que nem são usados", garante Fuentes.

Muita gente acha que o consumidor compulsivo compra apenas por problemas emocionais. A depressão pode estar ligada a isso, mas não é o que determina o impulso para a compra. As pessoas compulsivas, mesmo quando tratadas com medicamentos antidepressivos, não deixam de ter seus impulsos e, quando conseguem se recuperar, passam por uma crise de abstinência parecida com a dos usuários de drogas pesadas. O compulsivo acaba comprando excessivamente porque não resiste ao seu impulso, e, enquanto não realizar a compra, se sente ansioso, irritado e suas mãos ficam suadas. "Isso tudo é tranqüilizado quando ele compra e muitas vezes pouco importa o que compra", diz Fuentes. O mito de que "eu vou comprar porque estou me sentindo mal-amado" não tem a ver com o transtorno do impulso.
Apesar dessas pessoas com transtorno viverem em uma sociedade que respira propaganda, o professor Dilson Gabriel dos Santos, da Faculdade de Economia e Administração da USP, nega que esse seja o principal motivo que leva o consumidor a se tornar um compulsivo. "Nos Estados Unidos, antes de chegar nos caixas de supermercado, você tem que passar por um 'corredor polonês' cheio de produtos. Aqueles são produtos típicos de compra por impulso, mas que atingem todos os tipos de consumidor. No caso dos consumidores compulsivos, eles tornam-se presa fácil para os estímulos do marketing", e complementa: "O marketing não tem o propósito de agir sobre as pessoas compulsivas, e nem tem como distinguir quem é normal e quem compra compulsivamente".

Às vezes, o fato de um produto estar bem colocado na vitrine, ou em promoção, ou até sendo degustado em um supermercado, pode levar o compulsivo a comprá-lo porque chama sua atenção, mas ele poderia comprar qualquer outro produto, pois o impulso que lhe faz comprar independe do que ele vai adquirir. "Imagine a pessoa que está propensa a comprar. Ela responde bem a esses estímulos, e muitas delas sentem uma sensação de completude. Por não ser uma compra planejada, ela pode comprar aquilo que estiver chamando mais a atenção na hora", diz Fuentes. Nos casos de compra por internet ou TV, por exemplo, há muita devolução do produto justamente porque ele não é o mais importante no ato da compra. Quando o produto chega em casa, a pessoa percebe que comprou algo inútil e o devolve.

Para esses consumidores compulsivos, o professor Dilson dá uma dica: "saia com uma listinha e a siga rigorosamente. É uma forma de você se defender dos estímulos permanentes e que estão em qualquer lugar, gastando menos"

Serviço
Devedores Anônimos (DA) Rua Santa Ifigênia, 30, Igreja Santa Ifigênia - Centro, São Paulo –SP Fone: (011) 229-6706 ou 229-4066

Como saber se és um compulsivo?

  • não resistir ao impulso de comprar
  • gastar mais que o planejado, o que o prejudica financeiramente
  • acabar com seus planos de vida e das pessoas à sua volta
  • pedir dinheiro emprestado para os outros e até aplicar golpes para poder saldar a dívida
  • precisar efetuar a compra de qualquer maneira, independentemente do produto comprado
  • perceber que está comprando coisas que não usa ou usa muito pouco
  • assumir dívidas altas que comprometem sua renda mensal


Tratamentos:

Psicoterapia com profissionais especializados: a primeira etapa é passar o controle dos bens para alguém de confiança e a segunda, é o auto-conhecimento e a busca do motivo pelo qual a pessoa compra compulsivamente

Tratamento secundário com antidepressivos, nos casos em que o paciente apresenta quadro de depressão

Grupos de auto-ajuda, como o DA (Devedores Anônimos)

Fonte: Laura Lopes http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Quem Resiste ao Charme? UM SEDUTOR INTELIGENTE !

Na verdade esta foi uma Escolha Inteligente:
Além de competêcia é preciso seduzir a quem nos ouve......

Em Especial no que diz respeito ao conteúdo da letra....

Sobre Competência

Não sou pessoa que se deixe seduzir por reality shows.
Mas desta vez, assistindo a algo parecido com nosso show "idolos" porém ocorrido em United Kingdom (Factor X) pude perceber algo comum à nossa vida quotidiana.

Em uma das apresentações iniciais que seria a eliminatória, logo a princípo , ou seja the "first audition" aparece um jovem professor de 27 anos de nome Danyl Johnson que se propõe a cantar.
Ele gosta do que faz, ele o faz com perfeição e ainda ... "tira onda"
A música que ele escolheu foi: With A Little Help From My Friends... escolha muito inteligente, considerando a interação da platéia
Ninguém daria nada por esse candidato, mas percebam a energia empregada pelo cantor e sutileza do conteudo da letra:

What would you do if I sang out of tune,
Would you stand up and walk out on me.
Lend me your ears and I'll sing you a song,
And I'll try not to sing out of key.
Oh I get by with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
hm Gonna try with a little help from my friends.
What do I do when my love is away.
(Does it worry you to be alone)
How do I feel by the end of the day
(Are you sad because you're on your own)
No I get by with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
hm Gonna try with a little help from my friends.
Do you need anybody,
I need somebody to love.
Could it be anybody
I want somebody to love.
Would you believe in a love at first sight,
Yes I'm certain that it happens all the time.
What do you see when you turn out the light,
I can't tell you, but I know it's mine.
Oh I get by with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
Oh Gonna try with a little help from my friends.
Do you need anybody,
I just need someone to love,
Could it be anybody,
I want somebody to love.
Oh I get by with a little help from my friends,
hm Gonna try with a little help from my friends,
hm I get high with a little help from my friends,
Yes I get by with a little help from my friends,
With a little help from my friends.

Cuja tradução segue abaixo para que vcs entendam....

O que você pensaria se eu cantasse fora do tom?
Você levantaria e me abandonaria?
Empreste-me seus ouvidos
E cantarei uma canção pra você
E tentarei não cantar fora do tom
Oh, eu consigo com uma ajudinha de meus amigos
Eu fico tentando com uma ajudinha de meus amigos
Eu quero ficar louco com uma ajudinha de meus amigos
Eu só sobrevivo junto com meus amigos
O que fazer quando meu amor está distante?
(Ficar só te preocupa?)
Como eu me sentirei até o fim do dia?
(Você está triste porque está só?)
Você precisa de alguém?
Eu preciso de alguém para amar
Poderia ser qualquer um?
Eu quero alguém para amar
Você acreditaria num amor à primeira vista?
Sim, estou certo que isto acontece toda hora.
O que você vê quando apaga a luz?
Eu não vejo muito, mas eu sei que isto é meu,
Você precisa de alguém?
Eu preciso de alguém para amar
Poderia ser qualquer um?
Eu quero alguém para amar....
Este foi um clássico dos Beatles de composição de John Lennon e Paul McCartney

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Para que serve uma relação - Dr Drauzio Varella

Stalking - Patologia do Amor – Perseguição implacável - Uma revisão

Stalking: Trata-se de um padrão de comportamento repetitivo, persistente e invasivo de seguir e de importunar insistentemente a vítima, geralmente após o término de uma relação amorosa mal sucedida.
'Stalkers', na acepção ampla do termo, são caçadores que perseguem furtivamente o animal que pretendem caçar (MORAIS, 1998).
A idéia de perseguição não passou desconhecida na literatura, especialmente na tragédia grega e mesmo em Shakespeare e, entre nós, a dúvida ruminante sobre Capitu não deu trégua a Bentinho, mas nem por isso se fala de Stalking na obra de Machado de Assis.
Entretanto, do ponto de vista da Psicologia Jurídica, o comportamento inadequado, indesejado, e inconveniente de perseguir intencionalmente a vítima, independente do gênero (o stalker pode ser homem ou mulher), insere-se no contexto de abuso e violência e, em algumas circunstâncias, a partir do controle e da ameaça, pode se tornar fisicamente e emocionalmente cruel.
Na realidade, trata-se de uma constelação de condutas que podem ser muito diversificadas, mas envolve sempre uma intrusão persistente e repetida através da qual uma pessoa procura se impor à outra, mediante contatos indesejados, às vezes ameaçadores, gerando insegurança, constrangimento, e medo na vítima.
Em decorrência dessa invasão na sua privacidade, a vítima também inicia um conjunto de comportamentos evitativos, tais como trocar o número do telefone, alterar a rotina diária, os horários, os caminhos e os percursos que costumava fazer, deixar avisos no trabalho ou em casa, ou aumentar os mecanismos de segurança e proteção pessoal, podendo transitar da evitação para a negociação e mesmo para o confronto.
A procura de recursos por parte da vítima muitas vezes inicia na família, depois se estende para profissionais da área jurídica e da saúde, até chegar ao registro policial e à tomada de providências judiciais por intermédio de processo, geralmente quando os outros meios já se demonstraram insuficientes para fazer cessar o implacável comportamento perseguidor.
O comportamento do ofensor nem sempre constitui algo ilegal.
Às vezes consiste em acompanhar a vítima à distância e às escondidas, vigiar, andar atrás dela sem ser percebido, mandar bilhetes, cartas, e-mail com conteúdo ‘amoroso’ ou sexual, e usar telefone para enviar sucessivas mensagens e declarações, algumas implícitas outras mais explícitas, ou mandar flores de modo suplicante, ou escrever frases nas paredes ou nos muros das casas por onde a vítima costuma transitar (graffiti). Esses comportamentos podem perdurar por dias, semanas, meses, e até anos, dependendo das estratégias da vítima e do grau de comprometimento do perseguidor.
Os comportamentos intrusivos e perturbadores do agente costumam vir associados ao término de alguma relação amorosa, na qual prevalecem sentimentos de rejeição, fracasso e ciúmes, e então, desencadeiam-se comportamentos de manutenção de contato, de busca de proximidade e, em alguns casos, de violência física.
Esses comportamentos costumam vir num continuum, podendo se tornar bizarros e descontrolados, como ameaças inclusive de suicidar-se caso não seja atendida a pretensão amorosa esperada.
Podem ainda, envolver outras pessoas, tais como familiares, amigos, colegas de trabalho, e até mesmo profissionais como médicos, psicólogos, advogados, e professores, ou serviços, através dos quais o 'stalker' busca uma forma de acesso à vítima.
Devido à psicodinâmica subjacente, notadamente com muitos significados regressivos, o stalking associado à ruptura de um relacionamento apresenta maior gravidade e risco de lesão corporal e de homicídio conjugal, inclusive porque a relação pré-existente entre agressor e vítima deixa-a mais vulnerável devido ao conhecimento de seus hábitos, de suas dificuldades e limitações.
É provável que o 'stalker' seja uma personalidade frágil, insegura e do tipo dependente, incapaz de suportar a perda afetiva e emocional decorrente da separação.
Entretanto, muitas vezes não é o sentimento de rejeição e a depressão que decorre da perda que está na base do stalking, mas um pensamento com idéias de prejuízo, interpretações equivocadas da realidade, falta de juízo crítico, conteúdos persecutórios e até mesmo delirantes.
Nessas condições, a situação de rejeição não instala somente uma ferida narcísica, mas desencadeia maciços mecanismos de projeção, deslocamento, e identificação projetiva, fazendo com que a pessoa perseguidora regresse a níveis mais arcaicos de funcionamento da personalidade, o que origina ruminações e desejos de retornar a um passado que não existe mais. Por isso, nega a realidade e ataca os objetos de desejo.
Por outro lado, como acontece em outros domínios da psicologia, algumas hipóteses podem ser levantadas sobre o tipo de vinculação que aproxima agressor e vítima. A díade pode se estabelecer, efetivamente, por razões inconscientes e, nesses casos, a compulsão à repetição desses comportamentos e da busca de parceiros 'stalkers' sugere que se trata de um processo que não se encerrará tão cedo, com a tendência de que a vítima ceda aos apelos do agressor, alimentando ambigüidades e ambivalências de difícil solução, com êxito das manobras do agressor e reconciliações (im)possíveis.
Casos mais graves sugerem transtorno delirante, às vezes associado ao abuso ou dependências de substâncias químicas.
Se a identificação do stalking nem sempre é fácil, e ainda permanece pouco conhecida dos operadores do direito, não é de se esperar que a lei ainda não apresente soluções definitivas para o problema. De uma parte, porque nem todos os comportamentos que envolvem o stalking são ilegais; de outra, porque se trata de um fenômeno multifacetado e de difícil definição normativa e até mesmo psicológica.
A ausência de um enquadramento jurídico específico capaz de abranger todas as manifestações do stalking faz com que o sistema judicial, por vezes, seja frágil e limitado, exigindo que a vítima demonstre o efetivo prejuízo que sofreu.
Outras vezes, a incidência da lei demanda um percurso de caminhos indiretos, alcançando o agressor somente quando consumada a ameaça, a lesão corporal, ou o homicídio, o que sugere que a lei, em determinadas ocasiões, pode chegar tarde demais.
Do ponto de vista psicológico, a situação não é muito diferente, sendo sempre difícil avaliar a periculosidade do agressor, e o risco real a que a vítima está submetida.
As intervenções são complexas e a implementação de medidas preventivas se dirigem principalmente para acolher a vítima já traumatizada pela sucessão de eventos a que foi submetida ao longo de um ciclo de abuso.
Não obstante, o agressor também necessita de avaliação e de tratamento psicológico, mas nem sempre há recursos disponíveis para a demanda de um perseguidor implacável, onde a relação entre investimento e benefício não ocupa a agenda de prioridades do sistema de saúde, cujos recursos são sempre escassos e limitados.
Nesse particular, a Lei Nº 11.340/2006, ao estabelecer instrumentos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar, e considerar expressamente, em seu art. 7º, que a violência física, sexual, patrimonial, moral, e psicológicas são, dentre outras, formas de violência doméstica e familiar, houve por bem destacar que nesta última se enquadra “qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.
Desse modo, contemplou, na generalidade, hipóteses de stalking.
Por fim, é importante salientar que o fenômeno do stalking não diz respeito somente à mulher, mas também ao homem.
De acordo com a legislação brasileira, em tese, o stalker poderá ser enquadrado pela prática de contravenção penal, de competência dos Juizados Especiais Criminais, com previsão de pena de prisão simples, ou de pagamento de multa, que pode ser transformada em restrição de direitos.
Eventualmente, poderá ser processado pelo crime de ameaça.
Trata-se de um fenômeno complexo, multifacetado, e de difícil avaliação, que pode assumir formas mais graves de comportamento e acarretar sérios prejuízos de vitimização, às vezes comparado com um verdadeiro terrorismo individual, cuja motivação não é política, mas nem por isso é neutra ou deixa de simbolizar uma ideologia de subjugação e domínio, independentemente dos fatores psicológicos.
Todos esses aspectos levam a crer que, mais uma vez, a melhor solução para o problema do stalking é uma abordagem que, no seu conjunto, deve associar o direito com a psicologia, sendo a Psicologia Jurídica o canal mais adequado para fazer essa interlocução.
Sobre o ciúme que origina situações de stalking:
“Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum” (Barthes,1981).
“O ciumento acaba sempre encontrando mais do que procura” (Mademoiselle Scudéry, citada por Ferreira-Santos,1998, p. 18).
“Por mais que se deseje ou precise, duas pessoas jamais serão uma só” (Ferreira-Santos,1998, p. 18).
“Se a culpa e o ciúme puderem ser superados, a infidelidade deixará de ser um problema” (Pittman,1994, p. 7).

Quando o ciúme se manifesta, não visa proteger o outro, como erroneamente costuma se pensar, e sim se preservar a si mesmo de futuras preocupações que lhe sejam custosas no investimento amoroso realizado. O que mascara esta constatação é o fato de pensar que o ciúme é exercido em nome do amor e de uma “altruística” preocupação com o bem estar do outro de forma que per se parece autorizar a interferir sobre o destino do(a) parceiro(a).
O ciúme pode ter funções protecionistas para o relacionamento, preventivas e retaliadoras, e quando suas manifestações são desproporcionais ao estímulo gerador pode ser disfuncional e considerado como uma psicopatologia, nomeada, assim, de ciúme patológico.
É interessante observarmos que, ao mesmo tempo em que visa proteger o amor, o ciúme é um mecanismo capaz de destruir o relacionamento, dependendo de sua intensidade, freqüência e de alguns comportamentos a ele relacionados (Ramos & Calegaro, 2001; Kebleris & Carvalho, 2006).
São freqüentes as relações citadas na literatura entre o ciúme, violência, homicídios e agressões de modo geral. Ele também é um dos fatores mais comuns em terapias de casal e em psicoterapias individuais.
Segundo Sayão (1998), os ciumentos quase sempre caminham para a ruptura com o ser amado e para a solidão. Desta forma, sentimentos de oferecer recursos iguais ou melhores que os que estão sendo disponibilizados por eles (Salazar, Couto, Gonçalves & Pereira,1996)
A lógica das pessoas ciumentas: No momento em que a pessoa tenta expressar as razões de seu ciúme, ela começa a selecionar argumentos que o fundamentariam, em detrimento de outros dados que, porventura, venham a se opor sobre o raciocínio confeccionado por ele(a) próprio(a), a ponto de comprovar para si mesmo(a), segundo Botura (1996), que está sendo preterido no relacionamento. Então, como o ciumento teme, a qualquer momento, vir a receber a dolorosa notícia de que será deixado pelo ser amado, faz com que ele constantemente sinta-se ameaçado. Assim, passará a selecionar e colecionar dados que fortifiquem a sua hipótese de que iminentemente sofrerá uma infidelidade.
Na literatura machadiana, especialmente no clássico Dom Casmurro, fica bem ilustrado um comportamento desta fase: o ruminar (Assis, 1987). Cavalcante (1997) aponta que o ciumento morbidamente rumina detalhadamente na conflituosa tentativa de encontrar evidências para suas angustiantes expectativas.
Em concordância com esta idéia, Dunker (1995) afirma que a pessoa ciumenta é, em princípio, uma meticulosa pensadora, no sentido de ruminar pequenos detalhes, de reparar nas menores inflexões no tom da voz, ou mesmo, de atentar a palavras que indiquem atos falhos para o parceiro e, desta maneira, fica armada e pronta a conjecturas. Nas palavras de Ramos: “assim, quanto mais ciúme, mais método, mais rigor, mais engenhosa a reflexão” (Ramos, 2000, p. 76).
Muito do que se disse até agora foi para ressaltar o ciúme irrealístico, ou seja, aquele fundamentado em vestígios de algo que se acredita ser uma infidelidade concreta por parte do ciumento. Contudo, há ainda a possibilidade de se haver uma infidelidade em andamento, e haver realmente a detecção de tais indícios por meio do mecanismo do ciúme.
Neste caso, imbuído de sua função protecionista, o ciúme tentaria assegurar ao ciumento, o parceiro do relacionamento que se quer preservar, a não investir mais seu tempo e recursos em uma relação desvantajosa para ele. Os rivais neste caso podem ser ex-namorados(as) ou mesmo pessoas neutras como amigos(as) de trabalho que passam a ser amorosamente ou sexualmente significativas na vida das pessoas em quem investimos nosso tempo e sentimentos.
Bringle (1991) afirma que a percepção se constitui num processo, no qual as expectativas perceptuais da pessoa se combinam com as informações sensoriais do ambiente social para constituir a configuração da percepção final.
Em outras palavras, a pessoa injustamente acusada de estar traindo o parceiro pode começar a se comportar como se o estivesse mesmo fazendo, experienciando sensações e percepções anteriormente inexistentes e se aproximando amiúde dos comportamentos das quais fora
acusada.
Ou seja o excesso de controle iria empurrar a vítima a realizar as fantasias do perseguidor!!!
A infidelidade sexual é: qualquer comportamento que envolve um contato sexual, como beijar, toques íntimos, sexo oral, ou quaisquer outros tipos de relações sexuais.
A infidelidade emocional é: a formação de um vínculo emocional e de afeto para com outra pessoa, e pode envolver comportamentos tais como paquerar, marcar encontros, estabelecer contatos afetivos e laços emocionais, mesmo que não exclusivamente.
Mas, em geral, as atitudes dos ciumentos acabam por afastar, cada vez mais, o ser amado.
Afinal, quem gosta de ser vigiado e submetido ao ridículo, pelos mais infundados pensamentos encobertos a manifestações públicas e desmedidas de tal sentimento?
Dessa forma, o ciúme retaliador é aquele que impõe conseqüências negativas ao parceiro infiel após a infidelidade deste.
O ciúme preventivo faz com que a pessoa, ao perceber que pode estar perdendo o parceiro, passe a investir mais em si e no relacionamento. Dessa forma, quando ativada a função protecionista do ciúme os parceiros podem passar a ser mais gentis uns com os outros, cuidar mais de si mesmos e demonstrarem o amor que sentem de inúmeras formas, indiretamente, pretendendo afastar possíveis rivais que possam desenvolver conversações íntimas, enamorar-se, ou ainda, apaixonar-se por uma outra pessoa que não o(a) atual parceiro(a).
Muitos estudos mostram uma conexão entre oportunidade e infidelidade (Greeley, 1994; Traeen & Stigum, 1998; Treas & Giesen, 2000).
Parceiros que têm mais chances para enganar, mais provavelmente o farão, especialmente se é improvável que o outro parceiro descubra tal infidelidade. Estudiosos ainda identificam o lugar de trabalho e a Internet como as duas principais zonas de perigo para os relacionamentos amorosos serem lesados por uma possível infidelidade (Atkins, Baucom & Jacobson, 2001; Barnes, 2006; Broderick, 1979).
Qualquer que seja o tipo de infidelidade, freqüentemente, resulta em raiva, rebaixamento na auto-estima, surpresa, desapontamento, dúvidas a respeito de si mesmo e depressão entre os traídos. (Cano & O’Leary, 2000; Carrera & García, 1996; Mathes, Adams & Davies, 1985; Radecki, Farrell & Bush, 1993; Sharpsteen, 1995)
Com um espectro de elementos assim tão abrangentes e subjetivos, a infidelidade é um fenômeno complexo, que desafia uma investigação científica.
Não é necessário estar envolvido em um casamento para se experimentar a infidelidade.
Todos os tipos de relacionamento estão sujeitos a sua nefasta influência. Ainda pouco se sabe a respeito de quais os indivíduos são mais suscetíveis a infidelidade, ou ainda, sobre os contextos que a promovem. Provavelmente, o futuro de um relacionamento não é totalmente regido pelos ditames de um contrato que se deposita sobre a mão dos parceiros, mas pode estar, dentre outros fatores, na ênfase do compromisso de exclusividade que se vivencia no dia-a-dia entre eles, e esta pode ser uma escolha mútua, ou não.
Devemos também nos lembrar que existem instituições que contribuem para a fidelidade e infidelidade entre os parceiros. Lusterman (1998) faz uma alusão bastante interessante que ajuda a entender o que se concebe por compromisso de exclusividade entre os parceiros: “é como se existisse uma cerca em volta do relacionamento com uma placa fora dela dizendo: ‘Mantenha-se afastado - propriedade privada’”(Lusterman, 1998, p. 4).
Existem evidências a respeito do papel que alguns fenômenos exercem na indução da infidelidade, como a insatisfação no vínculo com o parceiro (Glass & Wright, 1985; Treas & Geisen, 2000). Os estudos ainda apontam que quanto mais baixos os níveis de satisfação que os parceiros têm em um relacionamento amoroso, maior a probabilidade dos mesmos em se engajarem em comportamentos de infidelidade.
Em contrapartida, outros estudos mostram que as causas da infidelidade são bem mais complexas e variadas. Nos estudos apontados por Lusterman (1998), Maheu & Subotnik (2001), Pittman (1994) e Spring (1996), casos extraconjugais podem ocorrer tanto em casamentos felizes bem como nos considerados problemáticos, sendo que em muitos casos podem sinalizar uma busca intrínseca por sexo, amor, romance, ou todos estes fatores concomitantemente.
Então, a manutenção de um relacionamento pré-marital ou pós-marital não acontece somente pela presença de elementos como amor e satisfação. Existem ainda situações em que o amor, a paixão e a satisfação com o parceiro são indiscutíveis e, no entanto, a estabilidade da relação é inapelavelmente precária.
Embora seja mais fácil que quem trai não ama seu parceiro, este pensamento está muito longe da realidade. Para algumas pessoas a infidelidade é a resposta possível a uma situação de insatisfação que encontram dentro do relacionamento. Ainda que represente uma saída condenável (de acordo com os referenciais dos parceiros), o início de uma relação infiel está mais próximo da incapacidade para resolver os problemas do casamento do que da falta de amor.
Contudo, nem todas as pessoas que se engajam em infidelidade são caracterizadas por terem uma paixão avassaladora pela terceira pessoa.
A saturação e o desgaste no relacionamento podem abrir espaço para a entrada de uma nova pessoa.
A novidade da relação, baseada na sobrevalorização das qualidades e na subvalorização dos defeitos, confere o revigoramento que anteriormente parecia perdido, mas que pode, também, dar lugar a sentimentos de culpa fortíssimos.
Assim, conforme dito anteriormente, e na acepção empregada neste trabalho, não existem evidências de que somente o amor e a satisfação entre os parceiros sejam suficientes para predizer a estabilidade nos relacionamentos amorosos (Buss & Shackelford, 1997; Cate, Levin & Richmond, 2002; Conger & Bryant, 1999; Gerhard & Schneewind, 2002; Meeks, Hendrick & Hendrick, 1998), muito embora se acredite que eles sejam também importantes para que aconteça comprometimento.
Segundo Gottman e Silver (1998), os fatores que podem fazer com que um relacionamento seja preservado, ou não, estão longe de serem suficientemente identificados.
Assim, muitos são os fatores envolvidos tanto na permanência dos parceiros numa relação, bem como no rompimento da mesma (Branden, 1998; Lemos, 1994; Rodrigues, Assmar & Jablonski, 1999; Viscott, 1996).
Muitas pessoas entram em contato com a infidelidade das mais diversas formas: ora são, foram, ou serão afligidos pela infidelidade de seus parceiros, ou ainda, poderão abalar a estrutura dos relacionamentos valorizados, sendo infiéis aos compromissos assumidos.
Em se tratando de infidelidade matrimonial, consoante Larrañaga (2000), a infidelidade é sintoma de que algo não vai bem ao matrimônio.
A infidelidade é o prelúdio de um divórcio, ou mesmo, de uma ruptura do casal constituído, qualquer que seja este. Etimologicamente, a palavra infidelidade remete à quebra da verdade (Lusterman, 1998).
As pessoas quando se casam prometem para seus amigos, parentes, para o Estado e, em muitos casos, diante de Deus, que elas permanecerão fiéis ao outro cônjuge até que a morte os separe, através de votos implícitos e explícitos. Os cuidados declarados na fórmula matrimonial civil ou religiosa espelham os votos explícitos para com os parceiros.
Para Ilustrar um voto não explícito verbalmente, cada membro do casal de fato promete que permanecerá sexualmente exclusivo um ao outro, até que se faça futuramente um outro acordo mais conveniente para ambas as partes.
Então, Lusterman (1998) diz que a infidelidade ocorre quando um parceiro continua a acreditar que o acordo para ser fiel ainda vigora, enquanto o outro parceiro o está secretamente violando. Percebe-se, assim, que se instala uma assimetria entre traídos e traidores, que poder perdurar indefinidamente.
Quaisquer que sejam as situações, podemos perceber que, em algum ponto, a infidelidade e o ciúme se entrecruzam, e o ciúme, mesmo por definição, é uma reação que também sinaliza a infidelidade amorosa.
Embora isso aconteça, vemos que poucas pesquisas se ocupam, em seu escopo, em tematizar e estudar tal relação.
Textos de Referência:
JORGE TRINDADE Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica in www.sbpj.org
THIAGO DE ALMEIDA Universidade de São Paulo Instituto de Psicologia Depto de Psicologia Experimental in artigocientifico.tebas.kinghost.net/uploads/artc_1173117076_71.pdf e também citado em http://www.psiquiatriainfantil.com.br/teses

Em resumo: Amor, afeto e proximidade afetiva não significam “contrato de propriedade”, devem existir motivos para estar junto de alguém. Esse motivo não deveria jamais ser resposta à uma ameaça de perda financeira, de intimidação do tipo “ mas você me prometeu...”, de chantagem utilizando filhos, de ridicularização ou humilhação diante de amigos ou familiares.
Amor é amor por si... e quando acaba... não existe a possibilidade da palavra “Negociação”. Não se pode partir de um sentimento para uma racionalização....
Amor é a mais ampla expressão de liberdade! Não significa o “quero porque quero”, mas o “quero porque me completa” algo raro nesses dias de hoje.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Nota de agradecimento - A note of gratitude

Devo agradecer ao crescente número de visitas a este humilde blog.
Tenho recebido visitas da Espanha, de Portugal, dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Moçambique, e também de todos os Estados deste enorme Brasil.
Sinceramente agradeço pela confiança.
Quer sejam seguidores assinantes ou não, sua presença me faz refletir na importância da qualidade de minhas publicações, e me incentivam a buscar sempre trazer aquilo que há melhor em cada tema e também a incluir comentários que representem minha experiência na carreira e na vida.
Tenho buscado neste espaço trazer informações relevantes sobre ciência, referências confiáveis para estudos na área de saúde, e muitas vezes tenho trazido para cá também alguns assuntos de filosofia e psicologia.
Muito obrigada por sua visita !!!
As participações e comentários dos visitantes são sempre bem vindos, e têm sido enriquecedores.
Thank you very much !
You are always wellcome!!!
Sincerely yours

Christiane

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pérolas do Enem - E olhe... Eu não estou rindo....


Recebi por estes dias um email com um arquivo com as "pérolas do Enem" Quero deixar claro que o texto abaixo não representa minha opinião pessoal, e tampouco a opinião de quem enviou: temos o texto das respostas...e os comentários anônimos a cada situação....
As pérolas do ENEM 2009: O tema da redação do Enem 2009 foi Aquecimento Global, e como acontece todo ano, não faltaram preciosidades.
Lá vão:
1) "o problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta." (percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)
2) "A amazônia é explorada de forma piedosa."(boa)
3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta."(tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)
4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."(e na velocidade 5!)
5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."(pra deixar bem claro o tamanho da destruição)
6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação."(pleonasmo é a lei)
7) "Espero que o desmatamento seja instinto."(selvagem)
8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo." (o verdadeiro milagre da vida)
9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."(também fiquei emocionado com essa)
10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis." (todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável)
11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas."(esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd's da coleção do Chaves)
12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."(amém)
13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza."(e as renováveis?)
14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica."(deve ser culpa da morte ecológica)
15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável."(ignorem, por favor)
16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias."(peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)
17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia."(o quê?)
18) "Paremos e reflitemos."(beleza)
19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas."(onde está o Guarda Belo nessas horas?)
20) "Retirada claudestina de árvores."(caráulio)
21) "Temos que criar leis legais contraisso."(bacana)
22) "A camada de ozonel.."(Chris O'Zonnell?)
23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor."(a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)
24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas sem coração."(para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)
25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento, devastador, intenso e imperdoável."(campeão da categoria "maior enchedor de lingüiça")
26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação."(NÃO!)
27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises."(gênio da matemática)
28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes."(red bull neles - dizem as árvores)
29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório"(ótima)
30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."(subindo!)
31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc."(deve ser a globalização)
32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem."(gzus)
33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis."(imaginem as que foram votadas no banheiro deles)
34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia."(oh god)
35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?"(dicionários)

Respondi ao meu amigo com o seguinte texto...
e Espero que me perdoem pela crueza....
Querido amigo... é lamentável mesmo não é?? Só rindo prá não chorar... Ouvi recentemente a seguinte comparação: nas décadas de 70 e 80 os alunos eram muito exigidos pelos professores... Então surgiu uma psicopedagoga que ficou famosa (embora, Graças a Deus, eu nem me lembre o nome dela), que dizia que as crianças e adolescentes poderiam ficar 'traumatizados' com uma repreensão, com um adequado tapinha na b..., e com exigências além de suas capacidades....
Sendo assim de lá para cá, pais e mestres, começamos a criar 'monstrinhos'.
Monstrinhos que não tem respeito pelo espaço alheio, pelo bem alheio, e que não valorizam suas próprias conquistas...
O mundo lhes deve tudo...A partir daí vemos jovens que não sabem lidar com as frustrações normais da vida...para poder superá-las e amadurecerem, são os 'coitadinhos do mundo'... as 'vítimas de nada'....
Até mesmo nem suportam um rompimento com a namorada... passam bala...
Bem do tipo 'se não posso ter, não vai ser de mais ninguém'... pessoas e bens materiais tem o mesmo valor....
Hoje, alunos E PROFESSORES são submetidos a "bullying"
As provas deixaram de ser o que se chama de "avaliação do desenvolvimento de habilidade e competência" e passaram a ser avaliações da capacidade de memorização.
A tal Psicopedagoga esqueceu que em futuro não muito remoto, as 'competências' poderiam ir além de conteúdos teóricos de história e geografia, mas envolver a capacidade de realizar uma cirurgia no cérebro, sem causar sequelas.....
Tomara que a 'tal' não venha a precisar do SUS.....
Porém, nas avaliações, as questões abertas, já na década de 90, demonstravam que os jovens já não sabem escrever uma frase que faça sentido, ou uma idéia que tenha 'começo, meio e fim', nessa ordem.... tampouco se poderia julgar a capacidade de abstração e coerência....
Os erros de português aumentaram tanto, que passou a ser exigido que o aluno fosse submetido a "avaliações agradáveis" ou seja,"oportunidades de promoção" pois as avaliações passaram a ser vistas como "castigos"....
Recentemente, entre 2000 e 2010 as avaliações em forma de testes de múltipla escolha não poderiam ser do tipo: "Assinale a alternativa INCORRETA", ou do tipo, "assinale a alternativa a- quando só uma for correta, b- quando todas forem corretas, c- quando todas forem incorretas..." pois isso "confunde o aluno"...
Não pode..... Só pode haver uma alternativa correta....
Como exemplo:
Quem descobriu o Brasil?
a) Pedro Alvares Cabral
b) Pedro Alvares Cabrel
c) Pedro Alvares Cabril
d) Pedro Alvares Cabrol
e) Pedro Alvares Cabrul....
E atualmente a mais nova modalidade... tomando como exemplo a questão anterior, o enunciado deve ser ainda mais claro, de preferência a prova deve ser inicialmente toda lida em voz alta pelo professor, para dirimir as dúvidas
Vejamos como fica agora:
"Prezado aluno, se você souber ler e estiver entendendo o que seu professor diz.. assinale com um X a alternativa a)"
É mesmo o fim do mundo... dizem que vai acabar em 2012 será??? não vou nem ter tempo de desfrutar a minha aposentadoria.
Beijão... P.S. (acho que vou colocar este desabafo no meu blog, que achas??)
Melhor não... é capaz de eu apanhar dos alunos ........antes dos exames finais.....

domingo, 20 de dezembro de 2009

Platão e o Mito da Caverna - Pior cego é aquele que " não quer ver " ou o que "não consegue ver" ?

Extraído de "A República" de Platão
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabaça nem para trás nem para os lados.
A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ele e os prisioneiros --no exterior, portanto- há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes.
Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede ao fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poder ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam e manipulam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas.
Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna.
Também não podem saber que enxergam apenas porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros?
Que faria um prisioneiro libertado?
Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira.
Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando-se com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do
sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela.
Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projetadas ao fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.
Mas, quem sabe alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.
O que é a caverna? Que são as sombras das estatuetas? Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O que é a luz exterior do sol? O que é o mundo exterior? Qual o instrumento que liberta o homem e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? O que é a visão do mundo real iluminado?
Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ANOREXIA - Qual a melhor abordagem??


O que cada um de nós pode fazer para evitar esta auto destruição????

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sexo seguro Com ou Sem Ejaculação - DST - AIDS - HPV - Hepatite - Herpes - Sífilis - Gonorreia - Cancro - Condiloma "Levantou? Proteja!!!"

Fazer amor...
Ou praticar o sexo é um dos maiores prazeres reservados ao ser humano...
Quer seja com envolvimento profundo emocional,
quer seja em encontro casual, não importa...
Não vamos agora querer discutir a relação...
Apenas vamos nos restringir ao momento inevitável....
O momento, o clima, o interesse, a vontade, a proximidade, o perfume, o pulsar...
Não importa qual foi a alquimia...
Porém dois seres humanos estão tão profundamente envolvidos,
tão inevitávelmente atraídos, que 'conversar' apenas é pouco... as palavras desaparecem
É preciso estar "com"... é preciso estar "dentro", é preciso "ser um"....
Nesse momento esquece-se tudo.
Inclusive a coerência, a auto-preservação, o RISCO!!!!
Abaixo apenas alguns alertas....
A Decisão é sua.
Quem vê cara... não vê AIDS...



Baixem a IMPORTANTE aula:
http://www.saude.rj.gov.br/Docs/Dstaids/Abcdaids.pps

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dopagem - Doping - Dopping: Assunto para Refletir....

Nietzsche – Sobre o sofrimento e a dor em três partes

Para quem não viu, aí estão os links
http: //www .youtube.com/watch?v=pL43tM1aIyI Parte1
http: //www .youtube.com/watch?v=CLGajtQlRjE Parte2
http: //www .youtube.com/watch?v=LLttxk7W3tI Parte3

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

FRACTAIS / FRACTALS




O extraordinário dos fractais é a possibilidade de ilustrarem o infinito! Isto significa que, cada instante de nossa vida, cada mínima fração de instante, incorpora o infinito e novamente se estende nele. O que é tão difícil de ser concebido e imaginado pode ser ilustrado visualmente pelas imagens de fractais.
" A Geometria dos fractais não é apenas um capítulo da matemática, mas também uma forma de ajudar os homens a verem o mesmo velho mundo diferentemente." " Fractais são formas igualmente complexas no detalhe e na forma global" (Benoît Mandelbrot)
Os fractais são figuras geométricas que o nosso cérebro identifica e individualiza sem dificuldade, mas que na realidade constituem formas irregulares, sem contorno bem definido, sem possibilidade de medição do seu perímetro, do seu volume, da sua forma. O mais curioso é que os fractais da biologia (forma animal ou vegetal), embora perfeitamente identificados na classificação científica, não correspondem a nenhum elemento em particular e não há dois elementos iguais entre milhões de exemplares. As nuvens, as galáxias, as árvores, os sistema circulatório do corpo humano, o contorno dos continentes e das ilhas, etc.
O contorno de um fractal não é fisicamente coerente e pode ser infinitamente longo, com uma superfície infinita, e muitos casos com espessura nula. Portanto, não são linhas, não são volumes, não têm comprimento definido, nem tão pouco uma superfície! A estas estruturas, cuja classificação cai "entre" a linha e a superfície, ou entre uma superfície e um sólido (e assim por diante), os matemáticos atribuem uma dimensão não inteira, mas fraccionária (fractal).
Além do mais podemos observar nestas estruturas duas propriedades fortemente relacionadas e características dos fractais : - Auto-similaridade: em cada pequeno pedaço delas podemos observar a forma geral do todo.
Os matemáticos tentaram construir modelos que reproduzissem os fractais da natureza, mas o que conseguiram foi construir os seus próprios fractais, já que por definição não há dois fractais iguais. A costa de uma ilha é uma figura fractal do ponto de vista geométrico, pois a medida de seu contorno numa determinada escala, é muito menor do que outra que mostre cada grão de areia de cada praia, e assim sucessivamente.
A proporção áurea ou número de ouro ou número áureo ou ainda proporção dourada é uma constante real algébrica irracional denotada pela letra grega (phi) e com o valor arredondado a três casas decimais de 1,618.
É um número que há muito tempo é empregado na arte.
NÚMERO DE OURO: Representado pelo número 1,618, de acordo com a teoria de Elliot, tem fascinado intelectuais de diferentes interesses, durante pelo menos 2400 anos. Não se sabe ao certo a data de sua descoberta, entretanto um dos registros mais antigos de seu estudo e utilização situa-se no século V a.C com um dos maiores matemáticos de todos os tempos, Pitágoras.
Também chamado de: razão ou proporção áurea, razão de ouro, divina proporção, proporção em extrema razão, divisão de extrema razão. É freqüente a sua utilização em pinturas renascentistas, como as do mestre Giotto, Seurat, Mondrian, Leonardo da Vinci. Este número está envolvido com a natureza do crescimento Phi, devido a seu pesquisador, Phidias (não confundir com o número Pi (π),. Como é chamado o número de ouro, pode ser encontrado na proporção em conchas (o nautilus, por exemplo), nos seres humanos (na árvore respiratória), e em inúmeros outros exemplos que envolvem a ordem do crescimento.
Justamente por estar envolvido no crescimento, este número se torna tão freqüente. E por haver essa freqüência, o número de ouro ganhou um status de "quase mágico", sendo alvo de pesquisadores, artistas e escritores. Apesar desse status, o número de ouro é apenas o que é devido aos contextos em que está inserido: está envolvido em crescimentos biológicos, por exemplo. O fato de ser encontrado através de desenvolvimento matemático é que o torna fascinante. Parece que nós seres humanos percebemos a beleza ou sentimos a beleza de uma forma quando segue um padrão ou algo que não sabemos definir, que está embutido em nosso ser, provávelmente porque esta forma mantém relações em suas linhas que nos causam essa sensação do belo.
Porém sua importância também se destaca na matemática:(Leonardo Fibonacci 1175 d.C. publicou o "Liber Abaci" (o livro do ábaco)
Mesmo sendo de origem desconhecida, sua onipresença é um fato que surpreende. Tanto na natureza como em obras realizadas pelo homem a proporção de 1,618 pode ser facilmente encontrada, como por exemplo: no comportamento dos átomos, nas espirais das galáxias, na refração da luz, nas ondas do oceano, nos furacões, no crescimento das plantas, nas conchas dos caramujos nautilus, nas escamas dos peixes, nas populações de abelhas, nos marfins dos elefantes, nas partes do corpo humano, na arte, na literatura, na música, na arquitetura, no design, nas oscilações de preços do mercado financeiro etc.
Texto adaptado de http://almadeeducador.blogspot.com
http://www.youtube.com/watch?v=2Rmab9MqEZA

Tudo funciona melhor se houver alta similaridade... na Natureza, isso ocorre através da harmonia dos fractais.....


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MORTE SÚBITA: Descoberto gatilho genético para a morte súbita na epilepsia

Publicado no dia 16/11/09 na revista eletrônica Medcenter:
Há mais de uma década, cientistas e médicos vêm tentando entender porque algumas pessoas com epilepsia podem morrer sem sinal de alerta.
Agora, um estudo publicado na revista Science Translational Medicine demonstra que os ratos com mutações em um gene humano que codifica parte de um canal de potássio central do coração e cérebro-atividade das células mostram todas as características das pessoas que são afetadas pela morte súbita inexplicável na epilepsia.
Os ratos apresentaram arritmias cardíacas e crises parciais e generalizadas frequentes, e alguns ratos perdem a consciência e morrem. Morte súbita inexplicada na epilepsia é rara, atingindo apenas cerca de 1 em 150 pessoas com epilepsia, mas é devastadora para as famílias das vítimas, especialmente devido ao fato de os pacientes serem, geralmente adolescentes ou terem vinte anos.
".... este é o primeiro exemplo de um gene candidato para morte súbita inexplicada na epilepsia", disse o pesquisador Dr. Jeffrey Noebels, PhD, professor de neurologia da University of Medicine of Baylor, em Houston, Texas, ao Medscape Neurology. "Agora temos as provas para justificar o rastreio cardiológico de ritmos cardíacos anormais no eletrocardiograma (ECG) em indivíduos com epilepsia, e testes para essas mutações com o sequenciamento genético. Então, nós podemos tratar com medicação preventiva ou um marca-passo, para aqueles que dele necessitam".
"Ao mesmo tempo em que eu acredito que, em última instância, a causa da morte súbita inexplicável na epilepsia não será a mesma em todos os casos, essa descoberta reforça a hipótese de que alguns casos podem estar relacionados a uma única desordem que provoca convulsões e predispõe à morte súbita inexplicável.Isto apóia a necessidade de prosseguir, ativamente à procura de patologias nos canais do coração e cérebro em pessoas com epilepsia como um possível fator preditivo para morte súbita inexplicável na epilepsia, e o uso do eletrocardiograma como uma ferramenta de rastreio de, pelo menos, uma subpopulação de pessoas com epilepsia ". Dra. Elizabeth Donner, neurologista pediátrica do Hospital for Sick Children em Toronto, no Canadá, e co-fundadora da SUDEP Aware
Mutações relacionadas à síndrome do QT longo
Dr. Noebels e colaboradores estudaram ratos geneticamente modificados para carrear uma ou mais das diversas mutações ligadas à síndrome do QT longo (SQTL). SQTL é uma causa conhecida de arritmias fatais e morte súbita em jovens e pode acontecer em muitos casos de morte súbita inexplicável na epilepsia.
Duas mutações lig em um gene que codifica uma proteína que constitui uma subunidade de um canal iônico, alterando a repolarização elétrica de células; a repolarização é fundamental para a função normal de virtualmente todas as células, incluindo as responsáveis pelo marca-passo no coração.
Foi usada imunofluorescência para detectar onde a forma normal dessa subunidade desse canal iônico está localizada. Anteriormente, só havia sido encontrado no coração. Os pesquisadores descobriram que ele também está presente em todo o cérebro, inclusive em partes do hipocampo que estão envolvidas na epileptogênese.
Dr. Noebels e seus colaboradores realizaram leituras do eletroencefalograma (EEG) e eletrocardiograma (ECG) de 19 ratos que foram geneticamente modificados para serem heterozigóticos ou homozigóticos para 1 de 2 mutações associadas ao síndrome do QT longo no código genético para subunidade de canal iônico. Eles compararam estas leituras de EEG e ECG a de outros 19 ratos adultos normais.
Todos os ratos mutantes, após terem atingido a idade adulta, apresentaram picos epileptiformes no EEG e arritmias no ECG. Estas anomalias eram raras na sua ninhada normal.
Os ratos com mutações homozigóticas sofriam de um número e freqüência, estatisticamente, semelhantes de picos corticais no EEG comparados aos com mutação heterozigótica, as quais não ocorreram nos ratos normais.
Além disso, os ratos mutantes sofreram, enquanto eles estavam acordados, distúrbios do rítmo cardíaco como fibrilação atrial e flutter atrial. Estas ocorreram de forma, estatisticamente, significativa com maior frequência nos ratos com mutação do que nos animais do grupo controle normal.
Atividades cardíacas e cerebrais anormais, frequentemente, ocorreram de forma simultânea nos camundongos mutantes. Estes padrões também foram observados em pacientes que depois sofreram morte súbita na epilepsia; 33% a 44% das pessoas com epilepsia também têm arritmias.
Um rato que era homozigótico para 1 das mutações sofreu crises parciais frequentes, seguidas por depressão cardíaca grave por muitas horas, cessação da atividade eletrocerebral, respiração superficial e, finalmente, parada cardíaca e morte.
"Esse foi exatamente o padrão que foi documentado no único artigo na literatura sobre um paciente com epilepsia que estava sendo monitorizado com EEG e ECG quando morreu de forma súbita e inesperada - este paciente sofreu convulsões e arritmias simultaneamente", observou o Dr. Noebels.
A equipe está rastreando pacientes com epilepsia para determinar se eles apresentam as mesmas mutações.